14 de janeiro de 2012


Alto Araguaia, 05 de outubro de 1989 
 Olá querida, como vai? Aqui está tudo bem, espero que contigo também. Fiquei felicíssima ao receber sua carta. Eu estava dormindo quando minha mãe acordou-me toda sorridente com a carta nas mãos, me dizendo que era sua. Como estava ansiosa para ter noticias suas, me chacoalhou para que eu pudesse abrir logo.  Parece que havia nos esquecido, foi embora sem dizer que iria, nem ao menos um telefonema. Oh queridinha, gosto tanto de ti e agora estou tão contente. 
    Quando eu ia saindo do hospital, onde eu havia ido buscar o resultado de um exame, esbarrei com tua mãe e ela me disse que você tinha ido embora naquela madrugada. Fui para casa triste, pois você nem se despediu, mas talvez tenha sido melhor. Uma despedida partiria meu coração. Ao ver que tu havias me escrito foi maravilhoso, acordar com você no envelope. Mamãe ficou radiante, pediu para que eu relesse duas vezes. 
    Agora irei responder tuas perguntas… O Beto está ótimo e todo faceiro com o novo emprego. Eu e o Joca estamos bem, não se preocupa você será convidada para o casório (Só não sabemos quando vai ser). 
    Foi bom saber que está gostando daí e eles gostando de você, mas também não tem como não gostar, não é mesmo?  Achei uma fofurinha o Michelzinho estar quase falando, que gracinha! Dê um beijinho nele e um abraço bem apertado, tá? 
     Desejo-lhe toda a felicidade do mundo e muito juízo.  Quando você volta? Escreva-me mais, bobinha! Mamãe está mandando abraços, beijos e uma benção especial. Disse que te ama muito e para não se esquecer dela. Joca e Bento desejaram muitas felicidades para vocês três.

Beijos e abraços desta sua amiga que lhe quer muito bem.

Obs: Agora estou indo dormir. Ah, acabei de crochetar um caminho de mesa para meu enxoval! Quando vier te mostro. 
Carta real, enviada de Claudia Campos David para Lucilene Vitorino da Cruz.

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