30 de dezembro de 2011


Quando a saudade destrói o coração



    Já faz tanto tempo e eu continuo a escrever sobre você, chorar de saudades enquanto escuto nossas músicas. A cada dia que passa a saudade crava mais forte em meu peito, como se fosse uma estaca pontiaguda em missão de matar-me. Em certas noites como essa, me bate um desespero, uma dor invade meu coração, as lágrimas inundam minha face. Onde você está? Onde estás que eu não posso mais sentir-lo? Como você está? (...)
   E eu que acreditava que com o tempo a dor diminuiria, a saudade deixaria de existir – que ingênua – nada mudou, apenas aumentou. Ainda dói tanto não poder lhe tocar, não poder te sentir, nem ao menos escutar-te.
A dor de uma paixão não sabe à hora de se aquietar
A saudade não sabe se calar
Grita
Berra
Até a última gota de sangue cair
Até o ultimo suspiro ser suspirado
E o escuro inundar os olhos inchados de tanto chorar.

    Nem em meus sonhos consigo lhe tocar, nem em meus pensamentos consigo lhe sentir. Tenho que contentar-me em ouvir sua voz gravada repetindo sempre a mesma coisa, só assim posso te ter, pelo menos um pouco, pelo menos mais que nada. O que eu faço com essa saudade que bate em minha porta a cada segundo que passa? O que fazer com esse amor que está guardado intacto, esse amor que lhe pertence?
   Meu maior sacrifício foi deixar-te partir. Pensei que eu seria forte, mas não sou. Às vezes penso que a qualquer instante essa dor irá me matar. Não sei mais o que fazer, gritar com o travesseio tampando-me a boca não resolve mais nada. Preciso de ti. Sim, eu preciso.
   Volto sempre ao mesmo lugar em que me deixou com a esperança que esteja a me esperar, mas você nunca está. Destruo-me em pensar que posso nunca mais te ver... Eu e você formávamos um plural tão cheio de luz, luz que iluminava as noites sem lua, aquelas onde até as estrelas se apagava para nos ver brilhar. Eu, apenas eu sou um pronome tão sozinho, solitário cheio de saudade no pronunciar, sem brilho, sem chão, necessitando de uma noite de luar toda estrelada para clarear minha noite escura para que assim eu possa te ver quando você chegar, como um beija-flor ao voltar para seu jardim.
Para aquele que por amor protegi o nome em um codinome Beija - flor

“Ultima frase inspirada na música Codinome Beija - flor Cazuza.”

27 de dezembro de 2011


Bailarina da vida
doce menina, de face rosada
cabelo bem preso e coração solto
Menina pequena, eterna apaixonada
Baila, gira, sabe o que faz
voa e eterniza cada movimento com um sorriso
faceiro e velocidade na ponta dos pés
Ah bailaria, 
doce menina que se põe a sonhar
sonha em rodopiar sobre as entre linhas
de um poema
nas melodias de uma sinfonia
ela sim sabe bailar.

26 de dezembro de 2011


Xícara de açúcar


   Desculpe incomodá-lo, meu açúcar acabou. Estou fazendo um bolo de chocolate, um lindo bolo de chocolate, sempre faço bolos para alegrar meu dia, não reparei que o açúcar havia acabado. Poderia me arrumar uma xicrinha pra eu terminar meu bolo?... Não, não. Tenho que ser mais direta. Olá meu açúcar acabou, poderia me arrumar uma xícara? Assim também não, está direto de mais. Boa noite, meu açúcar acabou e eu estou no meio do preparo de um bolo, poderia me emprestar uma xícara de açúcar? Assim está melhor.
   Ah, e se ele não tiver açúcar o que faço? É melhor esquecer o bolo. Mas e se ele tiver? Seria uma estupenda oportunidade de ouvir a voz dele... Não, é melhor esquecer-me do bolo. Sua tola, covarde vai deixar a oportunidade de falar com ele? E agora o que fazer? É só uma xícara de açúcar.
   Que boba, não é apenas uma xícara de açúcar é a oportunidade de ouvi-lo de perto, sentir seu cheiro e quem sabe tocá-lo na hora de pegar de volta a xícara. Preciso ir. Cadê a coragem de enfrentá-lo? Oh céus, e se minha voz falhar e pior ainda se eu não conseguir falar?
     E se ele não estiver em casa? E se estiver acompanhado? (...) Ele deve estar tão lindo, ontem comprou uma linda camisa xadrez – se escora na porta e começa a suspirar – o perfume que usa em seu corpo, perfumando seus poros me seduz de certa forma que me deixa em estase, fazendo-me sorrir como um gozo repleto de prazer. O sorriso é como uma estrela, uma estrela cheia de luz, a qual fica bem perto da Lua para poder iluminar a noite escura com seu brilho.
   Como enfrentar esse medo que corroeu minha coragem? Preciso de açúcar para meu bolo de chocolate.  Se ele soubesse o que está acontecendo atrás da porta do apartamento 690 com certeza riria e pensaria: “Que moça mais boba, tanta neura por causa de uma xícara de açúcar”. Riria, pois não entenderia que para essa moça boba é bem mais que apenas uma xícara de açúcar – senta no sofá, pega o telefone – Alô, com que falo? Boa noite, vocês poderiam entregar um pacote de açúcar aqui no 690? E por favor, não demore já atrasei no preparo do meu bolo, obrigado.

22 de dezembro de 2011


  Silêncio de um desejo
 Passo horas e horas lendo o que escreves imaginando quem seria aquela linda moça tão amada por tuas palavras. Imaginando suas faces ao escrever seus poemas, o seu comportamento ao terminá-los, o que iria fazer depois, o que estava fazendo antes de começar a poetizar em um papel – será que era papel ou escrevia em seu computador? – lindos sentimentos. Dizem que o homem mais lindo é aquele que amamos, sim, você é o mais lindo de todos, mas por medo de admitir isso que só meu coração sabe, digo que as palavras mais lindas são aquelas que amamos, e eu amo as tuas. Sento, levanto, deito, reviro, e continuo a pensar a imaginar você sentado em uma cadeira qualquer, às vezes te imagino deitado em sua cama – a qual também é imaginária, pois nunca vi a tua, escrevendo às vezes em um papel outras em seu computador, em alguns sonhos ouso até sonhar você escrevendo em meu corpo.
   Ler seus textos e poesias é uma forma prazerosa de saber o que se passas dentro de ti, talvez não muito confiável, porém a melhor. Perguntar-te o que está acontecendo também não é uma forma segura de saber a verdade, portanto leio. Difícil ver você admitir que não esteja bem, pelo menos para mim, lendo-te posso saber se está precisando de um ombro amigo, de um colo, ou apenas dividir teu silêncio com o meu.
   Quando não estou perdida em suas palavras ou em pensamentos imaginando-te estou parada no tempo olhando suas fotos, saboreando seus detalhes, viajando em teu olhar, mergulhando em teu sorriso, que lindo sorriso. A melhor coisa em te desejar é saber que nunca saberá disto, e assim poderei sempre estar ao teu lado. Meu desejo por ti é como um fantasma morto por sufocamento de palavras e sentimentos, fantasma que anda pela casa sem fazer barulho no assoalho. Aquele que só quem acredita consegue ver, mas para acreditar precisa saber que ele existe e você não sabe e continuará a não saber. Prefiro o silêncio de um desejo intenso do que sussurrar em teu ouvido que lhe desejo e assustá-lo, e assim perder-te.
Não posso te perder.

21 de dezembro de 2011


Encontros e desencontros


Às vezes quando eu vou à Rua Rio Branco, fico parada por alguns instantes lembrando-me de nós. Não sei se ainda se lembra, mas pode ter a completa certeza que eu não me esqueci. Bilhete na mão, sorriso escondido, olhos lacrimejados, medo abafando o pobre coração, foi assim que me senti ao olhar para ti. O bilhete trazia a resposta de sua linda missiva, que havia me entregado na hora do recreio. Gaguejando lhe disse: “Toma”. Logo após fui me afastando de vagar, as pernas estavam tremulas, minhas mãos suando frio, eu até senti friozinho na barriga. Senti uma mão segurando meu braço, me assustei e com meus grandes olhos arregalados te olhei. Um beijo roubado foi o que aquele olhar me causou. São tantas lembranças nossas que eu guardo, desde o primeiro beijo até o ultimo.
Fui á praça e no caminho não pude evitar entrar no mesmo bar que você - só para te ver, pois nem ao menos gosto de beber. Tu estavas tão lindo que logo me arrependi de ter forçado um novo encontro, mas você estava tão cansado que nem me reparou. Fiquei aliviada, pois não saberia o que lhe falar, então fiquei só por alguns minutos para ficar olhando pr’ocê. Depois de te ver, fui para praça ficar mergulhada nas lembranças de nós dois e me perguntando se ainda lembra-se de mim e procurando uma solução para acabar com essa emoção de rever. 

Temido desencontro


    Minha companheira de todas as manhãs - segunda há sexta - já virou rotina lhe encontrar pelo caminho dirigindo em velocidade média em sua pequena moto verde. No começo nem nos olhávamos, mas com o tempo os olhares foram se cruzando, logo depois os sorrisos e hoje posso lhe dizer que és minha bela companheira de caminho. Nossos sorrisos e olhares dizem mais que palavras, pois este tempo lhe acompanhando sei quando tu estás bem e quando não está. Teus olhos miúdos pouco escondidos dentro do capacete verde – para combinar com tua linda moto, não conseguem esconder o que se passa contigo. Um sorriso de “Bom dia”, outro de “Até logo”, um olhar de “Se cuide, tudo isso logo vai passar”, e um “Que bom que está bem hoje, querida”. É assim que seguimos nosso caminho. Não sei teu nome e imagino que nem saiba o meu, mas o que isso importa?
   Tenho medo que com o tempo iremos seguir novos caminhos, novos e diferentes. Mas sabe de uma coisa, minha cara? Sempre me lembrarei de ti. Cada olhar teu, foi uma forma de conforto para meus apelos e náuseas da vida. Não sei se queres lembrar-se de mim, nem se ao menos irá lembrar, mas no livro da minha vida sempre haverá uma página para ti. Espero que nunca pare de caminhar, diga sempre em frente e quem sabe um dia nos encontraremos novamente.

      Dona Moreninha


A menina desce as escadarias arrumando os cabelos, desamassando o vestido. Dormiu de mais. A mãe nervosa grita:
- Venha cá menina, ou perdes o carro!
Logo chega perto da mãe, ela termina de arrumar a filha, beija-lhe a testa e a leva segurando nas mãos ao ônibus. O pai que continua sentado na poltrona lendo jornal, pergunta:
- Ela já foi?
- Sim, acabou de ir. Um dia está menina há de perder a locomoção. Disse a mãe com uma mão na testa olhando para seu marido.
Ele vira a página, pega seu copo de uísque. Não fala mais nada, entra em um silêncio absoluto até ser interrompido por um esposa preocupada com a hora que o marido chegou em casa.
- Agora me diga, onde estava que chegaste tarde?
- Na rua.
- Que estavas na rua eu sei oras, quero saber onde, diga homem.
Ele impaciente bate a mão fechada na perna e diz:
- Estava na rua, apenas isso que deves saber. Chega de me amolar.
Ela enche o pulmão de ar, segura o choro, pensa na filha que acabara de ir para escola e retruca:
- Então volte para rua, pegue suas coisas e saia antes que Melina chegue da escola, se eu quisesse marido boêmio eu teria aceitado ficar com Martim.
Ele olhou-a com olhos arregalados, nunca pensara que ela iria falar assim, porém nada podia fazer além de implorar para ficar, a casa era dela, uma mulata grande e cheia de força e vontade de dar palmadas nele.  Segurou suas mãos e disse com voz mansa:
- Não faça assim morena, o que será de mim sem ti? Não podes me abandonar, amo-te de mais para viver sem teu amor.
- Não me amole, vai-se embora antes que eu te jogue pela janela. Passou a noite com mulheres da vida e agora vem se deitar em minha cama, o que pensa que sou?
- Não diga tolices dengosinha, passei a noite bebendo no bar com amigos.
- Deixe de ser tolo homem, besta aqui só você mesmo. Sou mulher direita, tenho uma filha moça para criar, não quero que ela cresça ao lado de um pai assim. Ande saia já de minha casa!
- Morena Morena…
Antes que o marido terminasse de falar ela segurou-o pelo braço e foi levando para fora. Abriu a porta, empurrou-o, colou as mãos na cintura e disse:
- Disse-lhe para ir, eu iria até deixar levar os trapos, mas amolou-me de mais. Vai-se embora sem nada. Tuas roupas ei de levar para doação. Foi logo fechando a porta e deixando o marido malandro do lado de fora.
Dona Moreninha, como era conhecida pela vizinhança é uma mulher correta, trabalhadora nunca deixou faltar para sua família, uma típica dona de casa, uma mulher brasileira. O marido, Seu Joaquim, sempre foi um boêmio passa o dia sentado na poltrona ou na varanda com um copo de uísque na mão e um violão na outra. Nunca trabalhou na vida, se casou bem cedo com Moreninha e dês do começo do casamento foi sempre ela que o sustentou. Logo veio Melina, menina meiga e inteligente, nada tem de feia nem de bonita. Melina é muito esperta ajuda a mãe desde pequena, vende flores como ninguém.
Ao voltar para casa Melina viu o pai sentado em cima da mala em frente de casa, perguntou o que houve e o pai sem mais delongas disse apenas: “Sua mãe me expulsou de casa”. Entrou correndo, com olhos marejados, gritando pela mãe.
- Mamãe, Mamãe!
- O que foi menina, o que te aconteceu?
- Por que o papai está lá fora? O que aconteceu? O que foi que este malandrinho fez desta vez?
- Oh querida, chega de sustentar marido, chega de aguentar traições - As lágrimas foram desenhando o rosto da mulata – quero paz em minha vida, quero paz na nossa vida, entende Melina?
- Não chores Dona Moreninha, você tem a mim para lhe ajudar nunca te deixarei as traças. Cuidarei de você, papai é esperto logo achará um lugar para morar.
- Obrigado minha Melina – secando as lágrimas – sem ti eu não saberia o que fazer, criança.
- Mamãe, chega de choro… Estou com fome, vamos fazer a janta?
Nem sempre uma separação é tão calma e resolvida tão rapidamente, mas Melina era esperta e daria um jeitinho. Ela iria fazer de tudo para ver o sorriso branco daquela mulata brilhar sempre. Seu Joaquim o responsável da esperteza de Melina, em pouco tempo se casou novamente para ser sustentado. Melina e Dona Moreninha estão bem de vida, formaram uma floricultura, as vendas estão indo de vento e poupa. Como diz Moreninha, “A vida é curta de mais para se acostumar com coisas que te fazem mal, varra tudo que te amole e seja feliz”.

20 de dezembro de 2011


Epístola de amor



   Se hoje estou aqui a te escrever foi porque não suportei tal presença de tua ausência. Segurei-me ao máximo para não cair na tentação de lhe procurar, mas a lembrança de teu cheiro em meu corpo foi mais forte que meu próprio eu. Minha cama anda vazia desde tua partida, nem eu mesma ousei tocá-la novamente. Vezenquando em certas madrugadas atrevo-me a ajoelhar diante dela para sentir o vestígio de teu corpo, que foi deixado do nosso ultimo encontro. Respiro cada gota, e logo após deito-me ao chão e assim te imaginar ou apenas lembrar-se de nossos inesquecíveis momentos de pura paixão.
As noites estão passando vagarosamente, o tempo passa em uma lentidão profunda, como se esperasse por alguém no café da esquina. Busco me satisfazer em nossas fotos, mas de tanto olhá-las, nada nelas me satisfazem. Atravesso finais de semanas assistindo filmes de amor, os quais estão passando pela milésima vez na TV. Filmes antigos, onde as mocinhas sempre sofrem no começo e no final vivem felizes para sempre com seus amados. Porém este final de semana foi diferente, passou a reprise de “O poderoso chefão”. As lágrimas que não se derramaram pelos filmes tristes e românticos, se escorreram por este. O filme me lembrou de nossa primeira noite, um sábado à noite… Lembro-me como se fosse hoje. Deitados no sofá, unidos pelo tempo frio, suas mãos acariciando meus cabelos, teu cheiro fazendo de meu corpo sua nova moradia. Lágrimas foram desenhando minha face, porém não desliguei, assisti até o final, para reviver o nosso momento por inteiro, cada detalhe.
   Não consegui aguentar, tive que lhe procurar, comecei a freqüentar lugares onde imaginava te encontrar, dês do café da esquina a bares que sem mesmo querer beber ousei entrar.  Minha procura foi em vão, pois nada encontrei… Cruzei esquinas, praças, igrejas e nenhum vestígio teu foi encontrado. Por instantes me desesperei, voltei para casa e deitei nos teus vestígios espalhados em minha cama, nossa cama. Dentre os lençóis por meu espanto havia um pequeno papel transbordando teu cheiro e neste papel estava escrito, quase desenhado: “Não me procure”. No final com letras pequenas uma observação: “Apenas venha se realmente me amar, cansei de apenas paixão”.  Neste instante meu mundo desabou. “Apenas se realmente me amar, cansei de apenas paixão”, essas palavras se repetiram em meus pensamentos mais vezes que os filmes na TV. Perguntas foram se formando, me atordoando. Será realmente que o que sinto é apenas paixão? Fiz tanto esforço para responder que acabei caindo em um sono profundo. No dia seguinte, seus vestígios estavam em mim. Ao abrir meus olhos, senti meu peito disparar, teu cheiro ainda faz estragos em meu eu.
    Dediquei, dias e noites, a responder todas as perguntas que teu bilhete formulou em mim. Meses se passaram e eu em busca de descobrir o que realmente sinto por ti. Nestes meses, pensei, pensei muito, e senti… Senti que sem você não existe Anna, sem você sou apenas uma pobre alma vagando neste mundo. Descobrir que o que sinto por ti é bem mais que amor, vai além de definições. Não hesitei, logo após a descoberta peguei uma caneta e papéis de cartas para lhe escrever e contar-te tudo. E foi isso que fiz. Estou aqui relatando tudo, ansiosa para te ter em meus braços. Por favor, me procure estarei a te esperar, pronta para me entregar completamente para ti.

A cega à beira-mar


   Entreguei-me à fantasia te ter ao meu lado, que fantasia mais dolorida. De olhos fechados caminhei ao teu lado, mesmo sendo completamente invisível ao teu olhar, caminhei sem ao menos reclamar do caminho, nem dos espinhos que iam se cravando em meus pés descalços. Despi-me, para ser tua de corpo e alma, joguei-me em teu colo a procura de aconchego, mas tudo que recebi foi ver-te caído chorando amores perdidos, aconchegos destinados a aquelas. Aquelas que nunca lhe amaram, nem ao menos te olharam como eu olhei.
Olhei no passado, pois meu presente é viver sem olhos. Arranquei os olhos de minha face para que assim eu não te enxergue mais, arranquei-me a visão para que meu coração deixe de ver-te na tentativa de esquecê-lo. Falhei. A lembrança de teu sorriso me atormenta a cada segundo, o teu olhar arranca os meus sentidos. Enlouqueci. Você me enlouqueceu.
Perdi os olhos, perdi a alma, o corpo, o coração. Perdi-me em ilusão.
   Macabra ilusão de amar e ser amada. Macabra ilusão de ser desejada por meu desejo mais intenso, pela chama que incendeia meu peito. Sórdida ilusão de caminhar de mãos dadas, ouvir sua voz sussurrada ao pé do ouvido, deitar-me em teu colo e ter meus cabelos acariciados por suas mãos e ao me despedir ter os lábios beijados por aqueles teus.  

Ilusão.
   Palavra que define toda essa história de nós dois. História inventada por mim, escrita com minhas mãos, por meus pensamentos, por meu coração… Coração tolo. Mas não importa mais, agora ele viverá eternamente em um túmulo pequeno de beira de estrada decorado com uma mensagem escrita em letras maiúsculas: AQUI JAZ O CORAÇÃO QUE TANTO ME FEZ SOFRER. E em outro bem distante beira-mar estará o meu, rodeado por girassóis sem nada escrito e quando perguntarem de quem é aquele túmulo, responderam: De uma cega que morreu de amor.

Quando a saudade aperta e não há mais saída


    Não sei talvez seja tolice minha ficar lembrando-me de ti, mas é inevitável. Por um tempo não consegui sequer pronunciar teu nome e confesso que até hoje essa não é uma tarefa fácil. Há meses nossa música não tocava nas rádios muito menos no som de minha casa, porém agora a cada lugar que eu vou ele vem me acompanhar. 
Às vezes me pego lembrando de nós e é estas vezes que corro para meu quarto abro a caixinha vermelha que guardo em cima do guarda roupa, abro-a e debruçada sobre nossas lembranças passo intermináveis horas derramando minhas lágrimas sobre elas.
   Tua partida criou em mim um imenso vazio em meu peito o qual nada e ninguém são capazes de preenchê-lo novamente. Lembro-me com aperto no coração de uma tarde, uma de muitas que passamos juntos conversando – como sinto falta de nossas conversas – nessa em especial você me entregou teu coração e eu em agradecimento e por amor, pois te amei e te amo como nunca ousei amar ninguém, lhe entreguei o meu que já o pertencia. Nesta tarde foi selado por poucas palavras almejando o silêncio que foi criado por nós, o nosso amor.

   Dói não saber mais de você, dói te amar sem poder te ter. Atravesso os dias dezoito, arrastada por uma grande saudade e uma imensa dor que carrego comigo. Esta noite me fiz uma pequena pergunta: Se eu tivesse um desejo, um único desejo, o que eu pediria? Pensei em te pedir pra perto de mim para que pudéssemos nos amar novamente e assim eu preencheria esse vazio que me tortura, mas não seria justo, você se foi porque queria criar um belo futuro e para isso tu precisada do máximo de esforço, não seria justo te trazer para mim sem pensar em você, apenas quero que seja feliz. Depois deste pensamento me debrucei em muitos outros, mas diante de todos cheguei à conclusão que se eu tivesse esta oportunidade eu iria pedir para lhe ouvir dizer mais uma vez: Eu te amo minha menina. Nada mais, apenas ouvir da tua voz a frase que me tortura todas as noites, a qual sinto tanta saudade, “Eu te amo minha menina” esse seria o meu pedido meu único pedido e quem sabe assim eu aquietaria este meu coração que só sabe chorar de saudades deste que tanto me faz falta.

Para aquele que por amor protegi o nome em um codinome Beija - flor

“Ultima frase inspirada na música Codinome Beija - flor, Cazuza.”

Viúva


   Não sou mais aquela pequena flor que lhe esperava toda fogosa na varanda com vestidos de cores que simbolizavam nossa calmaria. Não sou mais aquela passarinha que cantarolava acalantos para lhe ver dormir e acariciar sua juba cheirosa. Nem ao menos aquela que chorava tempestades em tuas partidas balançando lenços brancos e gritando “Au Revoir” e ao chegar a casa debruçava no sofá abraçando tua camisa e afogando-me em teu cheiro que deixaste por lá. Não sou mais aquela… E nem aquela outra que você acabou de pensar. Luto com o pranto que tanto desliza em minha rosada face. Aperto este coração vermelho que guardo em meu peito, de tal forma que o faça sufocar para que assim ele aprenda te ignorar e afogar-te em um dos barcos que lhe levou de casa.
Mas, ah Marinheiro, é impossível matar um grande amor.
   Impossível acreditar que não voltaras para me encher de beijos, dizer o quanto pensou em mim neste tempo que se ausentou. Acariciar meus cachos castanhos que brilham em tua presença, apalpar minhas bochechas coradas e dizer “Não te disse que eu voltava, querida! Pois bem, cá estou de volta para teu colo.”
  Dói tanto.
   Agora sou aquela que usa vestidos negros para transparecer a escuridão que causaste em mim. Aquela que passa a tarde debruçada em seu túmulo morrendo aos poucos e pintando-o com lágrimas de sangue. Aquela que atravessa a noite bordando para ver se ela passa mais rápida e que a tarde logo chegue para ir ao teu encontro. Esta sou eu… Não mais tua menina, nem mesmo tua mulher. Sou apenas aquela que morreu depois da morte de teu amado e esqueceram-se de colocá-la junto a ele no caixão.
E assim continuarei minha morte, amando-te e odiando aquele mar que levaste meu Marinheiro de mim.
   Sempre quis te ter por perto, afogar-me em teu colo, debruçar-me na janela para te esperar, acordar de madrugada olhar-te dormir, acariciar teu rosto, olhar dentro de teus olhos e te fazer-te sorrir. Sempre quis e nunca pude nem ao menos sentir teu perfume de perto. A vida foi injusta, ao me levar para o parque justamente aquele dia, você estava tão lindo, sereno, aparentava que os pássaros estavam de todos os cantos te contemplando em serenatas românticas. O vento todo assanhado com tua presença bailava levando as folhas, caídas pelo outono, a dançar junto a ele, o céu desenhava teu nome com suas lindas nuvens brancas, o sol sorria de longe… Todos te enamorando e eu em um canto qualquer apenas te observando e me apaixonando por cada detalhe teu. 

    Agora estou eu cá debruçada na janela não a te esperar, pois sei que não virás, apenas desejando-te em cada gota de chuva que cai. Relembrando-me como um cd furado o teu sorriso, seu olhar brilhante diante da imensidão cinza. Eu vou contando as horas e ouvindo os pingos cair em sintonia como se quisessem cantar-me teu nome. Não há pássaros no céu, apenas nuvens cinza unidas pelas lágrimas de chuva… Desejo que em algum lugar deste mundo você se lembre da moça de vestido florido do parque, da moça de vestido azul celeste do café da esquina ou a moça de avental diante das flores da floricultura a qual se tremeu toda para lhe desejar “Bom dia” e que nela consiga enxergar uma mulher debruçada na janela que guarda em seu coração um lindo sentimento, uma chama ardente que você mesmo despertou.

Mais uma dose de amor, por favor



    A noite caiu resta somente eu, o barman e um bêbado caído rente o balcão. As estrelas foram pingando no céu como tintas em um lindo papel negro. Bebo um gole desejando a teus lábios nos meus, suspiro o luar desejando um abraço apertado, aqueles onde você deixa seus vestígios em meu casaco. Os uísques que tomei já estão me fazendo te enxergar em cada canto deste bar, seus olhos negros me enfeitiçam, não sei mais o que fazer para não pensar em você. Teu perfume desenhado em seu corpo me arrepia a alma, seus cabelos compridos me laçam para uma viagem sem volta para o prazer. Onde será que estás seus lindos olhos negros, por onde será que viaja teus pensamentos? Pensas em mim ou já me esqueceu em uma estante empoeirada?

    É difícil encarar a vida sóbrio sem ti, já não posso ir dormir sem beber. Uísque virou meu melhor amigo, um escudo para a realidade sombria. Fecho os olhos e vejo você se aproximando em passos lentos, meio que rebolando, balançando seus maravilhosos quadris. Não consigo me conformar, bebo para parar de pensar, mas meu copo se enche de você e a cada gole é mais um pouco de ti que me embriago. Sei que um dia hei de morrer de te amar, quando esse dia chegar que eu esteja com um copo de uísque nas mãos, pois assim morrerei feliz… Bebendo a nossa paixão.
    Quando meu coração parar de bater, cairei na mesa de um bar qualquer deixando meu copo cair. O barman que estará acordado talvez me xingando, pois será de madrugada, quando todos os outros bares já tiverem fechados – nem irá se importar. Restará apenas eu e outro bêbado caído no chão, chorando a dor de um amor bandido. De manhã quando perceberem minha morte logo entenderão que morri de tanto lhe amar, pois em meu coração estará escrito teu nome em letras grandes. Já na beira de meu caixão você chorará, mas logo ao passar dos dias me esquecerá em tua estante empoeirada junto aos livros que te dei.
     Enquanto esse dia não chega, dormirei nesta mesa de bar, chorando o amor que te entreguei e você tanto recusou. Mas não se importe comigo, ficarei bem, o que um homem mais deseja a não ser morrer de amor?