20 de dezembro de 2011

   Sempre quis te ter por perto, afogar-me em teu colo, debruçar-me na janela para te esperar, acordar de madrugada olhar-te dormir, acariciar teu rosto, olhar dentro de teus olhos e te fazer-te sorrir. Sempre quis e nunca pude nem ao menos sentir teu perfume de perto. A vida foi injusta, ao me levar para o parque justamente aquele dia, você estava tão lindo, sereno, aparentava que os pássaros estavam de todos os cantos te contemplando em serenatas românticas. O vento todo assanhado com tua presença bailava levando as folhas, caídas pelo outono, a dançar junto a ele, o céu desenhava teu nome com suas lindas nuvens brancas, o sol sorria de longe… Todos te enamorando e eu em um canto qualquer apenas te observando e me apaixonando por cada detalhe teu. 

    Agora estou eu cá debruçada na janela não a te esperar, pois sei que não virás, apenas desejando-te em cada gota de chuva que cai. Relembrando-me como um cd furado o teu sorriso, seu olhar brilhante diante da imensidão cinza. Eu vou contando as horas e ouvindo os pingos cair em sintonia como se quisessem cantar-me teu nome. Não há pássaros no céu, apenas nuvens cinza unidas pelas lágrimas de chuva… Desejo que em algum lugar deste mundo você se lembre da moça de vestido florido do parque, da moça de vestido azul celeste do café da esquina ou a moça de avental diante das flores da floricultura a qual se tremeu toda para lhe desejar “Bom dia” e que nela consiga enxergar uma mulher debruçada na janela que guarda em seu coração um lindo sentimento, uma chama ardente que você mesmo despertou.

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