Epístola de amor
Se hoje estou aqui a te escrever foi porque não suportei tal presença de tua ausência. Segurei-me ao máximo para não cair na tentação de lhe procurar, mas a lembrança de teu cheiro em meu corpo foi mais forte que meu próprio eu. Minha cama anda vazia desde tua partida, nem eu mesma ousei tocá-la novamente. Vezenquando em certas madrugadas atrevo-me a ajoelhar diante dela para sentir o vestígio de teu corpo, que foi deixado do nosso ultimo encontro. Respiro cada gota, e logo após deito-me ao chão e assim te imaginar ou apenas lembrar-se de nossos inesquecíveis momentos de pura paixão.
As noites estão passando vagarosamente, o tempo passa em uma lentidão profunda, como se esperasse por alguém no café da esquina. Busco me satisfazer em nossas fotos, mas de tanto olhá-las, nada nelas me satisfazem. Atravesso finais de semanas assistindo filmes de amor, os quais estão passando pela milésima vez na TV. Filmes antigos, onde as mocinhas sempre sofrem no começo e no final vivem felizes para sempre com seus amados. Porém este final de semana foi diferente, passou a reprise de “O poderoso chefão”. As lágrimas que não se derramaram pelos filmes tristes e românticos, se escorreram por este. O filme me lembrou de nossa primeira noite, um sábado à noite… Lembro-me como se fosse hoje. Deitados no sofá, unidos pelo tempo frio, suas mãos acariciando meus cabelos, teu cheiro fazendo de meu corpo sua nova moradia. Lágrimas foram desenhando minha face, porém não desliguei, assisti até o final, para reviver o nosso momento por inteiro, cada detalhe.
Não consegui aguentar, tive que lhe procurar, comecei a freqüentar lugares onde imaginava te encontrar, dês do café da esquina a bares que sem mesmo querer beber ousei entrar. Minha procura foi em vão, pois nada encontrei… Cruzei esquinas, praças, igrejas e nenhum vestígio teu foi encontrado. Por instantes me desesperei, voltei para casa e deitei nos teus vestígios espalhados em minha cama, nossa cama. Dentre os lençóis por meu espanto havia um pequeno papel transbordando teu cheiro e neste papel estava escrito, quase desenhado: “Não me procure”. No final com letras pequenas uma observação: “Apenas venha se realmente me amar, cansei de apenas paixão”. Neste instante meu mundo desabou. “Apenas se realmente me amar, cansei de apenas paixão”, essas palavras se repetiram em meus pensamentos mais vezes que os filmes na TV. Perguntas foram se formando, me atordoando. Será realmente que o que sinto é apenas paixão? Fiz tanto esforço para responder que acabei caindo em um sono profundo. No dia seguinte, seus vestígios estavam em mim. Ao abrir meus olhos, senti meu peito disparar, teu cheiro ainda faz estragos em meu eu.
Dediquei, dias e noites, a responder todas as perguntas que teu bilhete formulou em mim. Meses se passaram e eu em busca de descobrir o que realmente sinto por ti. Nestes meses, pensei, pensei muito, e senti… Senti que sem você não existe Anna, sem você sou apenas uma pobre alma vagando neste mundo. Descobrir que o que sinto por ti é bem mais que amor, vai além de definições. Não hesitei, logo após a descoberta peguei uma caneta e papéis de cartas para lhe escrever e contar-te tudo. E foi isso que fiz. Estou aqui relatando tudo, ansiosa para te ter em meus braços. Por favor, me procure estarei a te esperar, pronta para me entregar completamente para ti.
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