Dona Moreninha
A menina desce as escadarias arrumando os cabelos, desamassando o vestido. Dormiu de mais. A mãe nervosa grita:
- Venha cá menina, ou perdes o carro!
Logo chega perto da mãe, ela termina de arrumar a filha, beija-lhe a testa e a leva segurando nas mãos ao ônibus. O pai que continua sentado na poltrona lendo jornal, pergunta:
- Ela já foi?
- Sim, acabou de ir. Um dia está menina há de perder a locomoção. Disse a mãe com uma mão na testa olhando para seu marido.
Ele vira a página, pega seu copo de uísque. Não fala mais nada, entra em um silêncio absoluto até ser interrompido por um esposa preocupada com a hora que o marido chegou em casa.
- Agora me diga, onde estava que chegaste tarde?
- Na rua.
- Que estavas na rua eu sei oras, quero saber onde, diga homem.
Ele impaciente bate a mão fechada na perna e diz:
- Estava na rua, apenas isso que deves saber. Chega de me amolar.
Ela enche o pulmão de ar, segura o choro, pensa na filha que acabara de ir para escola e retruca:
- Então volte para rua, pegue suas coisas e saia antes que Melina chegue da escola, se eu quisesse marido boêmio eu teria aceitado ficar com Martim.
Ele olhou-a com olhos arregalados, nunca pensara que ela iria falar assim, porém nada podia fazer além de implorar para ficar, a casa era dela, uma mulata grande e cheia de força e vontade de dar palmadas nele. Segurou suas mãos e disse com voz mansa:
- Não faça assim morena, o que será de mim sem ti? Não podes me abandonar, amo-te de mais para viver sem teu amor.
- Não me amole, vai-se embora antes que eu te jogue pela janela. Passou a noite com mulheres da vida e agora vem se deitar em minha cama, o que pensa que sou?
- Não diga tolices dengosinha, passei a noite bebendo no bar com amigos.
- Deixe de ser tolo homem, besta aqui só você mesmo. Sou mulher direita, tenho uma filha moça para criar, não quero que ela cresça ao lado de um pai assim. Ande saia já de minha casa!
- Morena Morena…
Antes que o marido terminasse de falar ela segurou-o pelo braço e foi levando para fora. Abriu a porta, empurrou-o, colou as mãos na cintura e disse:
- Disse-lhe para ir, eu iria até deixar levar os trapos, mas amolou-me de mais. Vai-se embora sem nada. Tuas roupas ei de levar para doação. Foi logo fechando a porta e deixando o marido malandro do lado de fora.
Dona Moreninha, como era conhecida pela vizinhança é uma mulher correta, trabalhadora nunca deixou faltar para sua família, uma típica dona de casa, uma mulher brasileira. O marido, Seu Joaquim, sempre foi um boêmio passa o dia sentado na poltrona ou na varanda com um copo de uísque na mão e um violão na outra. Nunca trabalhou na vida, se casou bem cedo com Moreninha e dês do começo do casamento foi sempre ela que o sustentou. Logo veio Melina, menina meiga e inteligente, nada tem de feia nem de bonita. Melina é muito esperta ajuda a mãe desde pequena, vende flores como ninguém.
- Venha cá menina, ou perdes o carro!
Logo chega perto da mãe, ela termina de arrumar a filha, beija-lhe a testa e a leva segurando nas mãos ao ônibus. O pai que continua sentado na poltrona lendo jornal, pergunta:
- Ela já foi?
- Sim, acabou de ir. Um dia está menina há de perder a locomoção. Disse a mãe com uma mão na testa olhando para seu marido.
Ele vira a página, pega seu copo de uísque. Não fala mais nada, entra em um silêncio absoluto até ser interrompido por um esposa preocupada com a hora que o marido chegou em casa.
- Agora me diga, onde estava que chegaste tarde?
- Na rua.
- Que estavas na rua eu sei oras, quero saber onde, diga homem.
Ele impaciente bate a mão fechada na perna e diz:
- Estava na rua, apenas isso que deves saber. Chega de me amolar.
Ela enche o pulmão de ar, segura o choro, pensa na filha que acabara de ir para escola e retruca:
- Então volte para rua, pegue suas coisas e saia antes que Melina chegue da escola, se eu quisesse marido boêmio eu teria aceitado ficar com Martim.
Ele olhou-a com olhos arregalados, nunca pensara que ela iria falar assim, porém nada podia fazer além de implorar para ficar, a casa era dela, uma mulata grande e cheia de força e vontade de dar palmadas nele. Segurou suas mãos e disse com voz mansa:
- Não faça assim morena, o que será de mim sem ti? Não podes me abandonar, amo-te de mais para viver sem teu amor.
- Não me amole, vai-se embora antes que eu te jogue pela janela. Passou a noite com mulheres da vida e agora vem se deitar em minha cama, o que pensa que sou?
- Não diga tolices dengosinha, passei a noite bebendo no bar com amigos.
- Deixe de ser tolo homem, besta aqui só você mesmo. Sou mulher direita, tenho uma filha moça para criar, não quero que ela cresça ao lado de um pai assim. Ande saia já de minha casa!
- Morena Morena…
Antes que o marido terminasse de falar ela segurou-o pelo braço e foi levando para fora. Abriu a porta, empurrou-o, colou as mãos na cintura e disse:
- Disse-lhe para ir, eu iria até deixar levar os trapos, mas amolou-me de mais. Vai-se embora sem nada. Tuas roupas ei de levar para doação. Foi logo fechando a porta e deixando o marido malandro do lado de fora.
Dona Moreninha, como era conhecida pela vizinhança é uma mulher correta, trabalhadora nunca deixou faltar para sua família, uma típica dona de casa, uma mulher brasileira. O marido, Seu Joaquim, sempre foi um boêmio passa o dia sentado na poltrona ou na varanda com um copo de uísque na mão e um violão na outra. Nunca trabalhou na vida, se casou bem cedo com Moreninha e dês do começo do casamento foi sempre ela que o sustentou. Logo veio Melina, menina meiga e inteligente, nada tem de feia nem de bonita. Melina é muito esperta ajuda a mãe desde pequena, vende flores como ninguém.
Ao voltar para casa Melina viu o pai sentado em cima da mala em frente de casa, perguntou o que houve e o pai sem mais delongas disse apenas: “Sua mãe me expulsou de casa”. Entrou correndo, com olhos marejados, gritando pela mãe.
- Mamãe, Mamãe!
- O que foi menina, o que te aconteceu?
- Por que o papai está lá fora? O que aconteceu? O que foi que este malandrinho fez desta vez?
- Oh querida, chega de sustentar marido, chega de aguentar traições - As lágrimas foram desenhando o rosto da mulata – quero paz em minha vida, quero paz na nossa vida, entende Melina?
- Mamãe, Mamãe!
- O que foi menina, o que te aconteceu?
- Por que o papai está lá fora? O que aconteceu? O que foi que este malandrinho fez desta vez?
- Oh querida, chega de sustentar marido, chega de aguentar traições - As lágrimas foram desenhando o rosto da mulata – quero paz em minha vida, quero paz na nossa vida, entende Melina?
- Não chores Dona Moreninha, você tem a mim para lhe ajudar nunca te deixarei as traças. Cuidarei de você, papai é esperto logo achará um lugar para morar.
- Obrigado minha Melina – secando as lágrimas – sem ti eu não saberia o que fazer, criança.
- Mamãe, chega de choro… Estou com fome, vamos fazer a janta?
Nem sempre uma separação é tão calma e resolvida tão rapidamente, mas Melina era esperta e daria um jeitinho. Ela iria fazer de tudo para ver o sorriso branco daquela mulata brilhar sempre. Seu Joaquim o responsável da esperteza de Melina, em pouco tempo se casou novamente para ser sustentado. Melina e Dona Moreninha estão bem de vida, formaram uma floricultura, as vendas estão indo de vento e poupa. Como diz Moreninha, “A vida é curta de mais para se acostumar com coisas que te fazem mal, varra tudo que te amole e seja feliz”.
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