21 de dezembro de 2011


Temido desencontro


    Minha companheira de todas as manhãs - segunda há sexta - já virou rotina lhe encontrar pelo caminho dirigindo em velocidade média em sua pequena moto verde. No começo nem nos olhávamos, mas com o tempo os olhares foram se cruzando, logo depois os sorrisos e hoje posso lhe dizer que és minha bela companheira de caminho. Nossos sorrisos e olhares dizem mais que palavras, pois este tempo lhe acompanhando sei quando tu estás bem e quando não está. Teus olhos miúdos pouco escondidos dentro do capacete verde – para combinar com tua linda moto, não conseguem esconder o que se passa contigo. Um sorriso de “Bom dia”, outro de “Até logo”, um olhar de “Se cuide, tudo isso logo vai passar”, e um “Que bom que está bem hoje, querida”. É assim que seguimos nosso caminho. Não sei teu nome e imagino que nem saiba o meu, mas o que isso importa?
   Tenho medo que com o tempo iremos seguir novos caminhos, novos e diferentes. Mas sabe de uma coisa, minha cara? Sempre me lembrarei de ti. Cada olhar teu, foi uma forma de conforto para meus apelos e náuseas da vida. Não sei se queres lembrar-se de mim, nem se ao menos irá lembrar, mas no livro da minha vida sempre haverá uma página para ti. Espero que nunca pare de caminhar, diga sempre em frente e quem sabe um dia nos encontraremos novamente.

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