Da Janela
O sol brilhou novamente, as nuvens continuaram caminhando como algodões doces em um carrinho imenso azul e desta vez sem um vendedor. De longe pela fresta da janela é possível enxergar os olhinhos cheios de esperança das crianças que brincam no meio da rua. Os passarinhos não sabem se banham na garoa ou se cantam para festejar. Os botões de rosas se abriram logo cedo, o sol estava tão lindo que parecia sorrir, presumo que foi por este motivo que elas resolveram se abrir. Suas cores são tão únicas, cada uma parece possuir um único olhar, diferente das crianças que parecem desejar uma única coisa.
Já está tarde, não sei as horas, pois neste meu desejo de renovação joguei fora todos os relógios que guardava em casa. Os trabalhadores estão voltando para suas residências, de volta para seus lares, as crianças que brincavam na rua agora correm para o braço de seus pais. Abri mais a janela para ver essa cena de puro amor. Amor, como o mundo necessita de amor. Talvez ninguém mais saiba o que esta palavra significa realmente, estão presos ao dicionário e se esqueceram de abrir suas janelas.
O sol começou a se despedir, os trabalhadores que carregavam suas crianças no colo agora estão contando como foram seus dias para suas esposas, as quais passaram o dia cuidando de casa e enfeitando um lindo bolo para ser comido logo após o jantar. As crianças com o olhar cheio de esperança que brincavam na rua estão tomando banho para vestir seus pijamas e se deliciarem com o tão esperado bolo de sobremesa. Tanta coisa acontecendo e eu continuo a contemplar tudo de minha janela esperando que a lua chegue logo e assim o próximo capitulo da minha monotonia.
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