Saudade também voa no céu
Hoje de tarde quando eu caminhava pela avenida perambulando, olhando as vitrines tentando ocupar a cabeça lembrei-me de ti. Em uma vitrine na Rua Lopes Quintas estava exposto um aviãozinho daqueles que costumávamos brincar quando pequenos, deu-me uma vontade imensa de te ligar e contar lhe, mas meus olhos cheios de lágrimas avisaram-me que isso não seria possível. Então continuei andando olhando para a paisagem tentando enganar as lágrimas que corriam sem parar pela minha face.Sentei em uma praça, na hora nem sabia onde estava apenas queria sentar. Respirei fundo, levantei a cabeça e na direção para qual estava olhando havia dois irmãos, uma menina que devia ter uns oito anos e um menininho que julgo ter uns três anos, ela estava tentando ensiná-lo que aviões voam no céu e seria impossível eles andarem feito carro, ele estava irritado defendendo sua teoria. Neste momento o desespero bateu tão forte em meu peito que pensei que não resistiria.
Eles se pareciam tanto conosco, sai desnorteada da pequena praça sem rumo sem direção, procurando abrigo em um colo seguro, confortável onde eu pudesse me aconchegar e enquanto meus cabelos eram acariciados uma voz doce e compreensiva me diria que tudo iria passar. Então me lembrei que eu só tinha você, que era apenas você que me dava segurança quando eu precisava, era tua voz que dizia que tudo iria passar e sempre passava, pois você estava comigo. Você sempre estava comigo.
Corri tentando fugir da imensa dor que habitou em mim, corri para teus braços, para teu aconchego. Debrucei-me sobre o cimento gelado, e agora o que faço? Eu só tinha você, agora não tenho mais ninguém. Derramei-me em um pranto profundo, eu precisava ficar ali contigo, não há outro lugar para qual eu poderia ir, apenas você poderia me aconchegar. As horas foram se passando e com elas o sono invadiu-me, adormecendo lentamente sussurrei para que somente você ouvisse: Maninho, aviões não andam como carros eles voam no céu, agora você pode vê-los ai de cima.
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